Terça-feira, Janeiro 27, 2009
27/01/2009
Estranho pensar que já se passaram trinta anos desde de 27 de janeiro de 1979. Acho que por volta dos vinte e poucos a idéia de completar três décadas de vida era um tanto assustadora. Sair dos vinte? Ter trinta? Um amigo querido, quando fez trinta, me disse que o mais complicado era sentir o tempo, que não se era mais tão jovem, a infância já tinha passado. Desconfio que ele queria dizer que o foda era a sensação de que não se podia mais tudo. No entanto, hoje é com uma estranha leveza que encaro essa data. Os trinta não me pesam. Têm uma consistência e textura interessantes. Esse tempo trouxe outras coisas em troca dessa ilusão perdida. Trouxe uma história que me é cara, trouxe uma certeza de que ainda há tanta coisa pela frente. E se já foi tão interessante até aqui, que venham os anos, todos eles.
lu. 12:40 PM -
Domingo, Julho 27, 2008
De repente
Ja viram como tem uns dias que, assim, incrivelmente, tudo faz sentido? Ou melhor, não se faz nenhum sentido novo, nada toma forma. Mas ainda assim as coisas soam difererente. Acho que foi o Heidegger quem disse que entre dois acontecimentos pontuais e datáveis, nascimento e morte, o que acontece é a vida. Achei a definição tão precisa e vaga quanto precisa ser. Duas viagens marcadas, um congresso, as coisas da casa nova aos poucos se ajeitando, um amor.
lu. 7:35 PM -
Quinta-feira, Julho 17, 2008
back?
Is it still working?
lu. 3:18 PM -
Quarta-feira, Maio 16, 2007
Chico pela 1° vez
Foi, muito, mais do que eu esperava. Assistir um show do Chico Buarque, meu primeiro. Ver ele, ali pertinho, cantando, falando pouco, olhando daquele jeito. Uma economia de palavras e gestos que faziam todo o sentido. E ele desfiando músicas novas e antigas, emendando, costurandando um samba no outro. Versos e melodias que me faziam voltar no tempo, rir, chorar, lembrar do que eu até ja tinha até me esquecido. É meio bobo, mas parecia um pouco sonho, um pouco irreal, ver ele alí, ao vivo, cantando aquelas músicas. Sai de lá com a alma lavada, com a certeza de que não queria estar em nenhum outro lugar no mundo naquela noite, naquela hora. E ele cantou... Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela Morena de Angola que leva o chocalho amarrrado na canela Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Será que a morena cochila escutandoo cochicho do chocalho Será que desperta gingando e já sai chocalhando pro trabalho
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela Será que ela tá na cozinha guisando a galinha à cabidela Será que esqueceu da galinha e ficou batucando na panela
Será que no meio da mata, na moita, a morena inda chocalha Será que ela não fica afoita pra dançar na chama da batalha
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela Passando pelo regimento ela faz requebrar o sentinela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela
Será que quando ela vai pra cama a morena se esquece dos chocalhos Será que namora fazendo bochincho com seus penduricalhos
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que mexe com ela Será que ela tá caprichando no peixe que eu trouxe de Benguela Será que tá no remelexo e abandonou meu peixe na tigela
Será quando fica choca põe de quarentena o seu chocalho Será que depois ela bota a canela no nicho do pirralho
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela Eu acho que deixei um caho do meu coração na Catumbela
Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela Morena, bichinha danada, minha camarada do MPLA
lu. 10:10 PM -
Sexta-feira, Abril 27, 2007
Slava
Morreu hoje, aos 80 anos, um velhinho que nunca conheci de fato. Que nasceu no Azerbajão, que tinha os olhos azuis claros, uma careca precoce e uma mão que lembrava, em tamanho, uma enorme tampa de privada. Morreu hoje um moleque que não tinha limite pra estudar, que o fazia até desmaiar. Que foi expulso da URSS, que perdeu a cidadania ao defender publicamente um amigo, que enfiou o instrumento nos escombros do muro e tocou Bach enquanto ele caia em Berlim. Morreu hoje um músico que criticavam por "mamar" demais as notas, por não ser fiel os estilos. Que contra qualquer lógica tocava furiosamente ainda aos 70 anos de idade. Morreu hoje pela manhã, na Rússia, o maior violoncelista que já pisou a terra. Quem me fazia deixar a preguiça e ir lá esfolar um pouco mais os dedos. Nunca dividi com ele a mesma sala de concerto, nunca pude admirar seu semblante fechado enquanto tocava, nunca pude apertar sua mão "de tampa privada" e agradecer por cada nota sua que ressoava do meu velho som, em um quarto no meio do cerrado, em uma cidade que eu nem sei se ele sabia da existência. Grandissíssimo filho-de-uma-puta. Como é que pode isso?! Era assim que eu quase sempre desligava o som, é assim hoje.
lu. 5:47 PM -
Sexta-feira, Abril 20, 2007
I'm back
Tô de volta. Um mês depois, cheio de novidades. Daqui a pouco conto com calma.
lu. 9:46 PM -
Terça-feira, Março 20, 2007
Bosque
É só um tempo. Daqui a pouco eu volto.
lu. 8:46 PM -
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